CORACINI, Maria José R. F. Identidades silenciadas e (in)visíveis: entre a inclusão e a exclusão (identidade, mídia, pobreza, situação de rua, mudança social, formação de professores) (org.). Campinas: Pontes, 2011. CAPES.
Notice bibliographique
Résumé
Maria José Rodrigues Faria Coracini formou-se em Letras, em 1972, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo Mestre em Letras (língua francesa) pela Universidade de São Paulo (1981), Doutora em Linguística Aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1988) e Livre Docente em 2000. Possui Pós-doutorado junto ao Centre Inter-universitaire en Analyse du Discours et Sociocritique des Textes (Ciadest) e ao grupo de pesquisa Marges (Marginalisation et Marginalité dans les discours), em Montréal, Canadá (1992-3); realizou estágio Pós-doutoral junto à Université de Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), Sylled (Abril-Junho 2006), e junto à Universidade de Lisboa (Faculdade de Ciências da Psicologia e Educação), também em 2006, por três meses. Atualmente, é professora titular na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A obra intitulada “Identidades silenciadas e (in)visíveis: entre a inclusão e a exclusão (identidade, mídia, pobreza, situação de rua, mudança social, formação de professores)” reúne trabalhos apresentados e discutidos no V Colóquio da rede Latino-Americana de Análise do Discurso da pobreza (REDLAD), realizado na Universidade Estadual de Campinas (IEL – Instituto de Estudos da Linguagem), de 17 a 19 de novembro de 2010, com o apoio do subgrupo de pesquisa “Vozes (in)fames: exclusão e resistência”, ligado ao “Grupo Brasileiro de Estudos de Discurso, Pobreza e Identidade”. O primoroso prefácio de Denise Helena Garcia da Silva, pesquisadora coordenadora da REDLAD no Brasil, adianta, ao público leitor, que as obras que compõem o volume corroboram “o enfoque em realidades sociais” (p. 13), a partir da tríade linguagem, diversidade e exclusão. É com fulcro na temática apresentada que a obra de fôlego, organizada por Coracini, traz dezoito trabalhos, de autores advindos de diferentes instituições de ensino brasileiras e estrangeiras, cujo objeto comum é atribuir voz àqueles que são colocados – e se colocam – à margem da sociedade: moradores de rua, catadores de lixo, indígenas, mãe adolescentes em situações de extrema pobreza, doméstica, menores infratores internos, idoso, alunos surdos, entre outros. O livro está dividido em quatro partes. A primeira – Em situação de rua: vozes nulas e silenciadas – é composta por cinco trabalhos. O primeiro artigo, de Elzira Yoko Uyeno, intitulado Morador de rua no ciberespaço: a incluir-se no discurso da ética e do desejo, estuda textos postados por Tião, um morador de rua blogueiro, que faz do lugar público seu espaço privado e que passa muitas horas por dia em uma lan house. Tal fato acontece, segundo Uyeno, porque a internet é capaz de dissimular a identidade de Tião – uma identidade que, talvez, passe a não mais ocupar a margem, mas o centro –, o que lhe transmite a sensação de ser o portador de uma outra identidade – desejo de ser o outro e de ocupar o lugar o outro – que, como sabemos, já o constitui. O blog que mantém atualizado desde o ano de 2006 é, para Tião, um “novo” (não)espaço, onde é possível – e permitido – criar um paralelo entre a escrita e sua vida, uma vez que aquela é por esta determinada. O segundo artigo apresentado, de Márcia Aparecida Amador Mascia denomina-se ‘“Rio”’ – a cidade maravilhosa e o lixão de Gramacho: discursos de exclusão e resistência na voz de Estamira. Estamira é uma mulher pobre, doente (esquizofrênica) e que sobrevive da renda que o lixo lhe gera. Ela é o personagem principal de um documentário lançado em 2006 por Marcos Prado, cujas falas são analisadas à luz da abordagem da Análise do Discurso, dos estudos culturais e da filosofia de Foucault. Após nos apresentar sua estória de vida, a autora decide por analisar as representações construídas por Estamira a respeito de si, dos outros, de Deus e do lixo. Trata-se, na realidade, de uma escuta de alguém que deseja se fazer ouvir. Mascia conclui que o discurso proferido por Estamira é formado por, pelo menos, dois discursos: o da loucura e o da razão. O artigo Personas en situación de calle: identidade y exclusion, de Lésmer Antonio Montecino Soto, analisa as representações construídas por moradores de rua da cidade de Santiago do Chile, no que diz respeito aos vocativos que recaem sobre eles: mendigo, bêbado, vagabundo, entre outros. Para isso, o autor seleciona três entrevistas, que foram realizadas entre os anos de 2007 e 2009. O material obtido é examinado a partir da fundamentação teórica de Halliday (1978), especificamente no que tange a seus ensinamentos sobre o esquema básico da argumentação, da transitividade e do sistema de atitude, com os subsistemas de afeto, juízo e apreciação, inseridos na teoria da valorização. O trabalho das autoras Viviane de Melo Resende e Viviane Ramalho, denominado “Ivan, o andarilho-jardineiro”: representação discursiva da situação de rua em um texto de mídia escrita, investiga a representação particular da situação de rua criada pelos personagens envolvidos, a partir de uma crônica publicada na seção “crônica da cidade” e denominada “Ivan, o andarilho-jardineiro, constrói jardim em gramacho da 307 Sul”. Para tal, fundamenta-se nos pressupostos teóricos da Análise de Discurso Crítica, a partir de Fairclouch (2003) e Resende; Ramalho (2006), nas categorias de coesão de Halliday (2004) e intertextualidade de Fairclouch (2003). Mapeado o texto, foram encontradas relações de finalidade, destinação e causalidade. A intertextualidade, presente no discurso de Ivan – e também em qualquer outro discurso – é analisada a partir de Bakhtin (1997). Segundo as autoras, além do discurso da jornalista, foi possível, também, (ou)vir as vozes de Ivan e de outros moradores que com ele dividem o mesmo espaço. Corpo e espaço urbano: a beira da visibilidade, de Simone Hashiguti, aponta a relevância que a relação entre ver/olhar e visível/invisível tem recebido nas Ciências Humanas e, juntamente, o deslocamento teórico de um olhar discursivo para tais relações. Assim, transporta-se para o morador de rua a relação ver/olhar, visível/ invisível: visíveis, na situação de abordagem de carros em sinaleiros, e invisíveis, quando comparados a objetos desprovidos de valor. A autora conclui que seus corpos ganham visibilidade quando passam a incomodar, ou seja, quando a eles é permitido transitar, e não estacionar à borda da existência. A personagem Estamira, também presente no trabalho de Mascia, é objeto de estudos de Hashiguti que busca, nos discursos de Estamira, refletir sobre a visibilidade material e a invisibilidade social, entre um centro de existência e sua margem. A autora recorre à utilização de imagens – inseridas em seu trabalho –, a fim de discutir a respeito das situações de visibilidade e invisibilidade que recaem sobre os moradores de rua. A segunda parte da obra, intitulada Mídia, pobreza e construção de subjetividades, é composta por quatro trabalhos, sendo o primeiro, de autoria de María Laura Pardo e Virginia Buscaglia, intitulado Delírio, pobreza y televisión: análises del discurso y psicoanálisis. O objetivo principal da pesquisa é analisar as representações discursivas criadas a respeito das pessoas que, além de (con)viverem em situações de extrema pobreza, sofrem determinados padecimentos psíquicos. A análise examina o discurso das “Polícias em accion”, um programa de tv produzido por Endemol Argentina e emitido ao público no ano de 2007, bem como transmitido pelo youtube. A fundamentação teórica baseia-se no método sincrônico e diacrônico de análise linguística (PARDO, 2011), e, também, na hierarquização da informação, uma vez que, segundo as autoras, as informações que emitimos se relacionam com a ordem de palavras da língua que falamos e com o que o falante quer colocar em evidência. Pardo e Buscaglia concluem que os sujeitos abordados pelo programa são postos às margens pelos entrevistadores, visto que, segundo as palavras das autoras, “são expostos como em um circo”, o que serve de atrativo para os expectadores, que acabam contribuindo para a audiência da emissora. O artigo Entre a mídia impressa e o discurso da integração, a construção identitária dos indígenas, de Vânia Maria Lescano Guerra, preocupa-se, inicialmente, em relacionar as contribuições dos estudos transdisciplinares à questão da exclusão social dos indígenas, bem como investigar o porquê de algumas vozes serem silenciadas no tocante à inclusão do índio. Tais preocupações voltam-se, especificamente, aos indígenas localizados no estado do Mato Grosso do Sul-MS. É a partir do jornal O Progresso, da cidade de Dourados-MS, que Guerra analisa a construção identitária do indígena, o que a faz explicar conceitos relacionados à identidade e que compõem o terreno da Análise do Discurso: a relação entre história, prática social e linguagem, relações de poder, arquivo e discurso, entre outros. A autora fundamenta-se nos ensinamentos de Foucault (1979, 1987), no que diz respeito aos conceitos de arquivo, relações de poder e discurso, em Coracini (1991, 2007), sobre as questões que envolvem os conceitos de sujeito, identidade e discurso, bem como nas contribuições de Derrida (1991). A autora conclui que o indígena busca voz e poder, mesmo que, para isso, seja preciso se apropriar da voz do branco e reivindica uma política indígena consistente no que diz respeito aos seus direitos e à exposição de sua cultura. Aproximaciones al discurso crítico multimodal, de Neyla Graciela Pardo Abril, constitui resultado de pesquisa sobre o vídeo “La pobreza del Chocó”, elaborado, em 2007, pela ex congressista Gina Parody e presente no sítio YouTube, cujo objetivo é promover a sociabilização. O discurso de Parody é amparado pelo “Partido Social de Unidad Nacional – Partido de la U” – e desenrola uma proposta política em que pretende articular múltiplos problemas de ordem social: violência, conflito, narcotráfico, pobreza, corrupções, entre outros. Os posicionamentos teórico e metodológico são de cunho interdisciplinar, uma vez que as autoras analisam as representações midiáticas sobre a desapropriaç
Récupéré en direct depuis OpenAlex et désinversé. Les résumés ne sont pas conservés dans cette base de données : les index inversés représentent 8,6 Go des 9,3 Go de texte de la base, et le serveur dispose de 13 Go libres.
Comment cette classification a été obtenuedéplier
Prédiction distillée sur la base complète
Imitation des enseignantsNi prévalence calibrée, ni vérité terrain. Validation humaine à venir. Apprise à partir de 10 348 étiquettes directes de Codex et de 10 348 étiquettes directes de Gemma. Le mode candidate est l'union des têtes enseignantes seuillées; le consensus est leur intersection. Ces sorties portent le statut machine_predicted_unvalidated et ne sont ni des étiquettes humaines ni des étiquettes directes de modèles de pointe.
Scores Codex et Gemma par catégorie
| Catégorie | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Métarecherche | 0,000 | 0,000 |
| Méta-épidémiologie (sens strict) | 0,002 | 0,002 |
| Méta-épidémiologie (sens large) | 0,002 | 0,001 |
| Bibliométrie | 0,001 | 0,001 |
| Études des sciences et des technologies | 0,002 | 0,001 |
| Communication savante | 0,001 | 0,008 |
| Science ouverte | 0,002 | 0,002 |
| Intégrité de la recherche | 0,001 | 0,002 |
| Charge utile insuffisante (le modèle a refusé de juger) | 0,022 | 0,002 |
Scores machine (provisoires)
Les deux têtes enseignantes du modèle étudiant, lues sur ce travail. Un score ordonne la base pour la relecture; il n'affirme jamais une catégorie, et le statut de validation accompagne chaque rangée tel quel.
Scores de référence d'un modèle non mature (critères de maturité non atteints, 7 itérations). Un score ordonne; il n'affirme jamais une catégorie.
score_only:v0-immature-baseline · tel quel depuis la passe de notation : score_only signifie que le nombre peut ordonner les travaux, et qu'aucune étiquette de catégorie n'en découleClassification
machine, non validéePrédiction automatique; les deux têtes enseignantes s’accordent sur ce qui est montré ici.
Le détail, modèle par modèle et score par score, se trouve en fin de page sous « Comment cette classification a été obtenue ».