Traços Político-Epistemológicos da interação entre atores do Ensino de Ciências e do MST em vista do Antropoceno.
Notice bibliographique
Résumé
Os estudos sociais da ciência mostram que a ideia de ciência está historicamente vinculada à de natureza, tal como se constituiu no Ocidente, marcada pela separação entre natureza e política. Com o conceito de Antropoceno, derivado dos estudos climáticos e da degradação ambiental desde os anos 1950, teóricos reconhecem seu potencial de desestabilizar a separação entre natureza e sociedade e, consequentemente, entre ciência e política. De modo análogo, a relação entre educação e política vem sendo negada, sobretudo sob a influência das ideias neoliberais e da suposta neutralidade pedagógica, enquanto estudos críticos reafirmam sua indissociabilidade como prática ético-política e humana. Nesse contexto, a formação humana no ensino de ciências enfrenta desafios que exigem concepções de natureza, ciência e educação distintas das hegemônicas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por seu caráter sociocultural de massas, articula uma educação popular e uma nova relação com a terra que tensionam esses esquemas tradicionais. Apesar do avanço das discussões sobre a politicidade da ciência e da educação, são raros os estudos que articulam as concepções de educação, ciência e natureza entre educadores, e praticamente inexistentes aqueles que evidenciam a potencialidade dos movimentos sociais nesse contexto epistemológico e pedagógico. Para preencher essa lacuna, neste estudo investigou-se pontos de concordância, conflitos e instabilidades entre as concepções de educação, natureza e ciência apresentados por dois professores de ciências da rede pública e dois militantes do MST da Comuna da Terra Irmã Alberta (São Paulo-SP). A pesquisa seguiu a Metodologia Interativa, com coleta de dados realizada por meio do Círculo Hermenêutico-Dialético, que envolveu entrevistas e observação participante, todas transcritas integralmente. A análise baseou-se na Análise Hermenêutica-Dialética-Interativa, em diálogo com Bruno Latour e Paulo Freire. Trechos das transcrições das entrevistas foram selecionados como unidades de análise, posteriormente organizadas em três grandes blocos educação, natureza e ciência totalizando 12 categorias. As convergências entre os participantes concentram-se na politicidade da educação, ainda que frequentemente tratada como dimensão externa aos processos formativos. Os professores tendem a mobilizar perspectivas modernas, enfatizando aspectos ligados à racionalidade e, por vezes, afastadas da dimensão política, o que pode estar relacionado às formas hegemônicas de organização do ensino de ciências. Já os militantes expressam rupturas parciais com a modernidade, articulando educação, natureza e ciência pela agroecologia como prática ético-política. A ausência dos militantes no bloco Ciência revela os limites da epistemologia moderna e do próprio estudo, ao passo que suas falas apontam para uma ciência terrestre, dialógica e freire-latouriana. Diante do Antropoceno, a configuração dos resultados apresenta a necessidade de repolitizar o ensino de ciências para assumir uma perspectiva não antropocêntrica, ética e socialmente engajada. Mostra-se igualmente urgente a superação da neutralidade e o fortalecimento do diálogo entre as perspectivas de Paulo Freire e Bruno Latour para tal intento. Nota-se também a potencialidade das pedagogias dos movimentos sociais para o ensino de ciências neste tempo histórico. No conjunto, as categorias evidenciam que a escola segue presa à cisão entre fatos e valores, enquanto o MST encarna práticas formativas e políticas mais adequadas aos desafios do Antropoceno. Conclui-se que o diálogo entre professores de ciências e militantes do MST revela contrastes formativos e epistemológicos que iluminam novos modos de pensar a educação em ciências diante dos desafios do Antropoceno.
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Comment cette classification a été obtenuedéplier
Prédiction machine sur la base complète
Imitation des enseignantsNi prévalence calibrée, ni vérité terrain. Validation humaine à venir. Le volet Gemma est une étiquette directe du modèle pour chaque travail de la base, lue sur la notice réduite au titre. Le volet Codex est un classifieur appris des 10 348 étiquettes directes de Codex et calibré sur les taux pondérés de l'échantillon; les champs sans appui suffisant ne portent aucun appel Codex. Le mode candidate est l'union des deux volets; le consensus est leur intersection. Ces sorties portent le statut machine_predicted_unvalidated et ne sont pas des étiquettes humaines.
Scores du classifieur distillé par catégorie (deux têtes)
| Catégorie | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Métarecherche | 0,005 | 0,009 |
| Méta-épidémiologie (sens strict) | 0,000 | 0,000 |
| Méta-épidémiologie (sens large) | 0,000 | 0,001 |
| Bibliométrie | 0,004 | 0,004 |
| Études des sciences et des technologies | 0,008 | 0,031 |
| Communication savante | 0,014 | 0,012 |
| Science ouverte | 0,001 | 0,008 |
| Intégrité de la recherche | 0,003 | 0,005 |
| Charge utile insuffisante (le modèle a refusé de juger) | 0,011 | 0,001 |
Scores machine (provisoires)
Les deux têtes enseignantes du modèle étudiant, lues sur ce travail. Un score ordonne la base pour la relecture; il n'affirme jamais une catégorie, et le statut de validation accompagne chaque rangée tel quel.
Scores de référence d'un modèle non mature (critères de maturité non atteints, 7 itérations). Un score ordonne; il n'affirme jamais une catégorie.
score_only:v0-immature-baseline · tel quel depuis la passe de notation : score_only signifie que le nombre peut ordonner les travaux, et qu'aucune étiquette de catégorie n'en découleClassification
machine, non validéePrédiction automatique; un appel candidat d’une seule source (Gemma direct ou Codex distillé), pas un consensus.
Le détail, modèle par modèle et score par score, se trouve en fin de page sous « Comment cette classification a été obtenue ».