A culinária brasileira: uma ferramenta educação em saúde, sob a ótica da cultura negra
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Bibliographic record
Abstract
INTRODUCAO: A culinaria brasileira pode ser descrita como o resultado do complexo processo historico cultural que o constituiu. A agregacao de alimentos de distintas regioes do mundo possibilitou uma fonte de vegetais e animais ainda mais ampla. Diversas especies nativas sao importantes alimentos da cozinha brasileira, utilizados tradicionalmente pelos povos indigenas e que foram progressivamente incorporados a outras receitas, principalmente pelas maos negras (Reifschneider, Nass, Henz, 2014). Modos de preparo e de comer dos indigenas, africanos, europeus e de outros povos deram sentido e significado ao alimento, transformando-o em comida brasileira, expressao de brasilidade. Cada grupo etnico adicionou ou subtraiu habitos, costumes e necessidades alimentares. Esses contribuiram com varios elementos, plantas, animais e condimentos, assim como preferencias, proibicoes e prescricoes, associacoes e exclusoes (Canesqui, 2005). A cozinha brasileira e poesia, conhecimento, disputas e trocas. Expressa a constituicao da sociedade brasileira, baseada em injusticas sociais, que se refletem na propria culinaria, haja vista o imperialismo cultural eurocentrico e a persistencia no pais de um imaginario etnico-racial que privilegia a brancura e estima principalmente as raizes europeias da cultura, em detrimento das demais ( SANTOS, 2009). Essa violencia simbolica ao arcabouco cultural nao hegemonico, precisa ser superada atraves da educacao em saude. Nesse sentido, a utilizacao da culinaria de matriz africana enquanto eixo estruturante da promocao da saude pode atender ao principio da Carta de Ottawa de “Desenvolvimento de habilidades pessoais”. Pode tambem significar um reforco de luta contra o racismo e a discriminacao racial, nos distintos espacos publicos, reconhecendo os saberes e praticas populares de saude, preservados ao longo dos anos, o fortalecendo uma identidade negra positiva e possibilitando a reducao das vulnerabilidades, como orienta a Politica Nacional de Saude Integral da Populacao negra (BRASIL, 2007). DESENVOLVIMENTO: Este resumo apresenta as experiencias do projeto de extensao universitaria denominado “A culinaria afro-brasileira como promotora da alimentacao saudavel” cujos objetivos foram: Promover praticas alimentares saudaveis, utilizando a culinaria afro-brasileira enquanto ferramenta pedagogica junto a Jovens e Adultos. As acoes foram desenvolvidas no municipio de Macae, em uma escola de bairro periferico e alcancou a 390 pessoas. Previu-se a realizacao de uma serie de etapas as quais serao apresentadas a seguir: Construcao dos referenciais teoricos; materiais educativos e dinâmicas de grupo; Elaboracao dos planos de trabalho; A aproximacao do publico e o a execucao das acoes. A construcao de referenciais teoricos de tematicas que subsidiassem o arcabouco conceitual do projeto foi considerada uma acao atemporal e continua, diante da necessidade de aprofundamento e ampliacao do conteudo de suporte as praticas educativas e a constituicao de relatorios e resumos para divulgacao cientifica e de extensao. Neste sentido, elaborou-se um acervo cujo teor tem sido apresentado e discutido semanalmente em reunioes da equipe do projeto. Os temas elencados foram: “Socioantropologia da alimentacao; Culinaria afro-brasileira; Educacao em saude e saude da populacao negra”. A elaboracao de planos de trabalho para as quatro oficinas previstas em projeto foi uma das acoes desenvolvidas pelas bolsistas e foi uma acao “imprescindivel para a eficacia e a efetividade das iniciativas e a sustentabilidade das acoes de EAN” (Brasil, 2012, p.29). A execucao desta tarefa tambem contribuiu para a qualificacao da formacao das bolsistas no perfil de educadoras em saude e o processo de planejamento das iniciativas, que gerou envolvimento e compromisso. A aproximacao com os participantes foi considerada indispensavel, pois a utilizacao de uma metodologia dialogica compreende a aproximacao dos sujeitos, o conhecimento do trabalho ja desenvolvido sobre a tematica de interesse, a ambiencia, momentos de dialogo e o estabelecimento de acordos para ajuste dos interesses de ambas as partes. (BRASIL, 2012). As oficinas educativas ocorreram junto aos estudantes do EJA e consistiram de 4 etapas: A primeira denominada “Os aromas da Africa no Brasil” consistiu de dinâmicas ludicas, criativas e compartilhadas. O objetivo foi apresentar componentes da culinaria africana e a suas influencias na constituicao da alimentacao brasileira. Para iniciar, previmos uma dinâmica para aproximacao e apresentacoes dos participantes e da equipe do projeto por intermedio de ferramenta ludica. Em seguida desenvolvemos a dinâmica “O mapa da Africa e seus paises, os alimentos e as preparacoes alimenticias correspondentes”. Nesta atividade foi apresentado o mapa da Africa com os nomes e as divisoes territoriais dos paises que a integram e cada estudante pode descrever nome de alimentos que sao mais comuns nestes locais ou que supoem serem de origem africana. Para dar continuidade, realizamos a dinâmica “Sensacoes”, onde todos os participantes puderam utilizar os sentidos do corpo para identificar os temperos e alimentos empregados na composicao da culinaria afro-brasileira. O objetivo desta acao foi que o estudante percebesse que boa parte dos temperos utilizados em preparacoes brasileiras sao oriundas ou empregados na culinaria da Africa, que por sua vez, tambem recebeu influencias da India, da Europa e etc. e ainda, algumas comidas, no Brasil, alcancaram caracteristicas peculiares, por causa da associacao as praticas alimentares dos indigenas que aqui habitavam. Em seguida trabalhamos o sistema alimentar hegemonico, segundo uma perspectiva critica, associando-o ao projeto de sociedade estabelecido pelo governo, alem disso, tratamos dos impactos a saude e ao meio ambiente. Previmos dar visibilidade, nao so ao alimento, mas aos trabalhadores do campo, aos atravessadores e os beneficiadores dos alimentos, refletindo ainda sobre o direito humano a alimentacao saudavel e adequada. Por fim, a ultima oficina, previu a construcao de conceitos sobre a alimentacao saudavel, atraves de um grupo de dialogo mediado por quatro principios do MREANPP, a saber: 1- Sustentabilidade Social, ambiental e economica; 2- Abordagem do sistema alimentar na sua integralidade; 3- Resgate e valorizacao da cultura alimentar local e respeito a diversidade de opinioes e perspectivas considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas (cultura, religiao, ciencia); 4- A comida e o alimento como referencias; valorizacao da culinaria enquanto pratica emancipatoria e de autocuidado dos individuos. RESULTADOS E CONSIDERACOES: Esse projeto permitiu experimentar as propostas da Politica Nacional de Saude Integral da Populacao Negra, que objetiva a promocao a saude integral da populacao negra, priorizando a reducao das desigualdades etnico-raciais, o combate ao racismo e a discriminacao nas instituicoes e publicas. Possibilitou a formacao profissional em saude mais proxima a cultura afrobrasileira, ponte para o acesso a saude da populacao negra. Consideramos que o acercamento com a tematica culinaria afro-africanidades, contribuira para uma formacao cidada deste graduando de cursos da saude, que assegure uma postura de educador e profissional de saude consciente do combate a discriminacao etnico-racial e construtor de uma consciencia critica sobre o processo saude-educacao-cultura dos distintos grupos populacionais. Ainda, os estudantes se apropriaram dos conhecimentos e praticas sobre a culinaria afro-brasileira enquanto potencial pedagogico em educacao alimentar e nutricional, uma ferramenta que dialoga com a vida e a historia dos brasileiros. A valorizacao da comida e da culinaria brasileira e todos os sentidos e valores a ela atribuidos, foi para esta experiencia, uma escolha acertada. Por meio desta estabelecemos um enfrentamento as propostas iniquas da industria de produtos alimenticios, que sugerem cada vez mais a nao pratica da culinaria e o uso de seus produtos prontos para comer. Alem disso, nos munimos de esperanca e assumimos estes principios em nossa pratica dialogada com a comunidade local e que nos pareceram exitosas em todas as suas etapas.
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Full frame distilled prediction
Teacher imitationNot calibrated prevalence, not ground truth. Human validation pending. Learned from the 10,348 direct Codex labels and 10,348 direct Gemma labels. Candidate is the union of thresholded teacher heads; consensus is their intersection. These outputs are machine_predicted_unvalidated and are not human labels or direct frontier model labels.
Codex and Gemma teacher scores by category
| Category | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Metaresearch | 0.000 | 0.001 |
| Meta-epidemiology (narrow) | 0.001 | 0.000 |
| Meta-epidemiology (broad) | 0.001 | 0.001 |
| Bibliometrics | 0.000 | 0.001 |
| Science and technology studies | 0.001 | 0.001 |
| Scholarly communication | 0.002 | 0.002 |
| Open science | 0.002 | 0.001 |
| Research integrity | 0.001 | 0.001 |
| Insufficient payload (model declined to judge) | 0.011 | 0.002 |
Machine scores (provisional)
The two teacher heads of the student model, read on this work. A score orders the frame for review; it never asserts a category, and the validation status ships verbatim with every row.
Baseline scores from an immature model (maturity gate not passed, 7 training rounds). Scores rank; they never assert a category.
score_only:v0-immature-baseline · verbatim from the scoring run: score_only means the number may rank works, and no category label ships from it