Carregadores, Guias e Caçadores: trabalho e resistência na expedição portuguesa ao interior da África (1884-1885)
Bibliographic record
Abstract
Durante a segunda metade do século XIX, pulularam expedições científicas na África, auspiciadas pelas então potências europeias, notadamente Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Portugal. Essas incursões pelo interior do continente só foram possíveis pela presença de centenas de trabalhadores africanos, quer aqueles engajados em atividades logísticas, como o carregamento dos materiais científicos, dos víveres, dos presentes e dos produtos de troca; quer aqueles responsáveis pela caça e pelo preparo dos alimentos, além de intérpretes e guias. A referência aos africanos nas expedições, no entanto, aparece muitas vezes de forma indireta, no que concorre ao êxito do empreendimento – e de forma bastante explícita nas queixas e nas explicações de insucessos –, prevalecendo nos relatos e narrativas de viagens a imagem do “eterno Adão” que vagueia por uma terra nunca antes percorrida, na qual tudo descobre. Este tipo de narrativa de viagem de exploração era amplamente apreciado pelos leitores europeus. Em tais relatos, o narrador toma exclusivamente para si a autoridade da viagem, o que é enfatizado no uso de palavras como o “viajante” ou na suposição de um “nós”, que parece alcançar somente os brancos da expedição. Como salienta Lima Martins, essa autoridade arvorada pelo narrador mesclava-se ao projeto colonizador e imperialista, “a legitimidade do discurso era garantida pelo suposto papel “civilizador” do autor, fosse ele missionário relatando seus atos de conversão de culturas primitivas, hidrógrafo mapeando águas pouco navegadas, naturalista dando ordem de uma natureza indomada” (MARTINS, 2004, p. 48). Neste artigo, analisamos mais detidamente a maneira como os trabalhadores essenciais à viagem de exploração foram representados na narrativa elaborada por Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, em incursão no interior do continente africano, de Angola a Moçambique, ou, para reproduzir terminologia da época, da “Costa à Contra costa”, entre os anos de 1884 e 1885. Guias, caçadores e carregadores assumem um papel primordial na travessia, e uma leitura atenta pode evidenciar uma série de relações no empreendimento das viagens no final do século XIX; a importância atribuída pelos portugueses a tais relações, em contexto de disputas coloniais com outras potências e, principalmente, os fragmentos de vida desses trabalhadores que são escassamente apresentados nos relatos...
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How this classification was reachedexpand
Full frame machine prediction
Teacher imitationNot calibrated prevalence, not ground truth. Human validation pending. The Gemma side is a direct model label for every work in the frame, read from the title-only record. The Codex side is a classifier learned from the 10,348 direct Codex labels and calibrated to design-weighted sample rates; fields without enough sample support carry no Codex call. Candidate is the union of the two sides; consensus is their intersection. These outputs are machine_predicted_unvalidated and are not human labels.
Distilled classifier scores by category (both heads)
| Category | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Metaresearch | 0.002 | 0.003 |
| Meta-epidemiology (narrow) | 0.000 | 0.000 |
| Meta-epidemiology (broad) | 0.000 | 0.000 |
| Bibliometrics | 0.001 | 0.002 |
| Science and technology studies | 0.010 | 0.012 |
| Scholarly communication | 0.004 | 0.002 |
| Open science | 0.001 | 0.003 |
| Research integrity | 0.001 | 0.002 |
| Insufficient payload (model declined to judge) | 0.004 | 0.000 |
Machine scores (provisional)
The two teacher heads of the student model, read on this work. A score orders the frame for review; it never asserts a category, and the validation status ships verbatim with every row.
Baseline scores from an immature model (maturity gate not passed, 7 training rounds). Scores rank; they never assert a category.
score_only:v0-immature-baseline · verbatim from the scoring run: score_only means the number may rank works, and no category label ships from itClassification
machine, unvalidatedMachine predicted; a candidate call from one source (direct Gemma or distilled Codex), not a consensus.
How this classification was reached, model by model and score by score, is at the end of the page under "How this classification was reached".