Notice bibliographique
Résumé
Bairro do Recife (Pernambuco) e Pelourinho (Bahia)Urpi Montoya Uriarte 1 A versão oficial das intervenções em centros históricos costuma diferir das versões de quem está "dentro" do espaço "recuperado" ou "revitalizado".Nestas linhas, além da voz no estilo acadêmico da autora, decidimos dar mais espaço à fala dos atores e às sensações e observações dos pesquisadores anotados em suas cadernetas de campo ou registrados em seus textos.Com efeito, este último tipo de fala emerge aqui de duas pesquisas realizadas no final da década de 1990 : uma, realizada por mim com a colaboração de duas estudantes de ciências sociais da Universidade Federal da Bahia 1 e outra por Rogério Leite e publicada em seu livro Contra-usos da cidade (2007).Não são duas pesquisas sincronizadas voluntariamente; no entanto, ambas tiveram a mesma finalidade: anotar os novos usos e usuários que os centros recuperados estavam tendo, usos que nem sempre foram previstos (ou realmente desejados) em seus respectivos planos. 2O que ambas as etnografias nos relatam, num primeiro momento, são centros históricos que tiveram seus usos quase plenamente modificados, não fosse pela manutenção de um pequeno núcleo de moradores antigos e pobres.Tais centros se transformaram em espaços de lazer, frequentados por diversos grupos que se posicionaram e se apropriaram de certos espaços, tornando-os seus lugares.Fosse pela vontade política, certamente esta heterogeneidade não seria tal.Na medida em que o espaço é negociado, construído socialmente, os dois centros históricos aqui tratados resultaram em espaços complexos ou, em palavras de Rogério Leite, numa "compartimentada e compartilhada existência híbrida de diferentes lugares" (2007, p. 297).Com efeito, a cidade-mercadoria não conseguiu domesticar ou disciplinar totalmente as formas cotidianas de apropriação política dos lugares.Assim, num segundo momento, mais recente, assistimos a novas investidas para disciplinar tal espaço -entenda-se: elitizá-lo ou homogeneizá-lo.Por trás das fachadas coloridas Ponto Urbe, 7 | 2010 1 As intervenções no Bairro do Recife e Pelourinho 3 Em contraste com o Pelourinho, que até o século XIX foi local de moradia dos senhores de engenho, desembargadores e grandes negociantes da Bahia (Mattoso, 1992), o Bairro do Recife -istmo e hoje uma pequena ilha -foi, até o século XIX, local onde se concentrava a economia da cidade: comércio, armazéns, escritórios, bancos etc. Em inícios do século XX, o bairro sofreu uma grande reforma, reflexo da ascensão dos republicanos ao poder político e da elite usineira na economia pernambucana, que devia transformar o antigo bairro holandês e português num espaço sofisticado e moderno do comércio usineiro e do setor financeiro.Com a destruição praticamente total do Porto do Recife, o bairro colonial foi reconstruído em estilo eclético, seguindo o modelo francês da reforma de Paris de meados do século XIX, feita pelo barão de Haussmann: duas largas avenidas foram abertas (Marquês de Olinda e Rio Branco), resultado de amplas demolições.É importante frisar que, mesmo estando longe de ser um bairro residencial, o Bairro do Recife nunca deixou de ser habitado "nas poucas instalações residenciais que se mantiveram em pé" (Leite, 2007, p. 130).4Já o Pelourinho não sofreu grandes modificações em sua estrutura física durante a primeira metade do século XX.O que mudou, e desde bem antes, foram seus ocupantes.A partir de meados do século XIX iniciou-se o deslocamento da alta classe da cidade para a zona sul (especialmente para o bairro e Corredor de Vitória), o que fez com que a área passasse, paulatinamente, a ser local de moradia dos setores mais baixos da escala social.Essa mudança explica-se pelo "declínio e a estagnação da economia escravagista do Recôncavo, isto é, com a decadência da cultura de cana-de-açúcar e do fumo, e a consequente queda das exportações, mudaram os hábitos" (Simões e Moura, 1986, p. 42). 5 O que se conhece hoje como Bairro do Recife é uma poligonal, tombada em 1998, que corresponde ao trecho mais antigo do bairro, o núcleo original da cidade do Recife, junto com os bairros de Santo Antônio, São José e Boa Vista.Diferentemente do Pelourinho, tombado por conservar sua arquitetura colonial, a inscrição do Bairro do Recife na lista de bens tombados justificou-se por ser este, ao mesmo tempo, um vestígio do Brasil holandês, exemplar único da Paris de Haussmann e representante da arquitetura moderna e contemporânea.6Em meados do século XX, o Bairro do Recife já apresentava sinais de perda de centralidade e, portanto, esvaziamento econômico, não só porque outros portos regionais foram igualmente equipados, como também por conta das "reformas urbanísticas de Santo Antônio [que] transformam este bairro no centro simbólico e econômico da cidade (um típico CDB).Concentram-se ali o comércio especializado e de luxo, as atividades públicas e os serviços dos profissionais liberais" (Zancheti, 1995, p. 100).Tanto quanto no caso do Centro Histórico de Salvador (CHS), o resultado destes processos foi a transformação do perfil sócio-econômico do bairro.Famílias de baixa renda se aproveitaram do "abandono" da área pelo poder público para convertê-la no lugar de moradia, tornando-se "local ideal para as pessoas que, de alguma forma, desenvolviam atividades ligadas ao porto: estivadores, pequenos comerciantes, funcionários de armazéns, prostitutas" (Leite, 2007, p. 147).O Pelourinho do meretrício e da boemia assemelha-se ao Bairro do Recife desse período: "a época de ouro da boemia, dos cabarés, das boates e dos prostíbulos" (Zancheti, 1995, p. 100).Por trás das fachadas coloridas Ponto Urbe, 7 | 2010 7 Contudo, a perda da centralidade do CHS foi posterior à do Bairro do Recife.Data da década de 60, quando Salvador começa a se industrializar a partir dos impactos da instalação da Petrobras (em 1947), dos incentivos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste -SUDENE (1959), do Centro Industrial de Aratu (1967) e do Pólo Petroquímico de Camaçari (1978).A entrada de recursos econômicos na Bahia significou, para Salvador, o início de um forte processo de descentralização urbana que deixou o velho centro esvaziado de suas antigas funções financeiras, comerciais e institucionais.A construção das avenidas de vale, o Acesso Norte da cidade, a estação rodoviária do Iguatemi e o Centro Administrativo da Bahia estão entre as principais construções que promoveram a perda de centralidade do antigo centro.8 Mas, depois da década de 1960, o quadro era o mesmo em ambos os centros: abandono e ocupantes cada vez mais pauperizados.A descentralização de Recife a partir da expansão residencial e comercial para o sul (Boa Viagem) e centro-oeste, iniciado na década de 1960, reforçou o anterior processo de esvaziamento residencial, perdendo o bairro parte da população que ali ainda morava e estava ligada às atividades portuárias.Passaram a morar nele novos habitantes que, aproveitando o abandono de armazéns e escritórios do porto, ocuparam os espaços vazios.É o caso da Favela do Rato 2 .Assim, na década de 1980, o Bairro do Recife era um espaço abandonado pelo poder público, tanto quanto o Pelourinho da mesma época.Ambos eram espaços estigmatizados, considerados marginais e perigosos.Mas, em contraste com o Pelourinho, o Bairro do Recife manteve (embora de forma declinante) usos comerciais, industriais e institucionais 3 , não podendo se tornar espaço de moradia para uma numerosa população pobre, embora à noite se tornasse espaço de uso de um pequeno número dela: Durante o dia, as atividades econômicas do porto e a movimentação de pessoas nos bancos e instituições públicas asseguravam uma rotina diária aparentemente igual à do restante da cidade.À noite, com as ruas escuras, o bairro era um convite a uma aventura de risco.Prostitutas e travestis... dividiam as esquinas com mendigos e meninos que faziam da rua as suas casas.(Leite, 2007, p. 149).9 Em relação às intervenções públicas nesses espaços, o que temos são mais diferenças que semelhanças, pelo menos até a década de 90.As intervenções no CHS se iniciaram com a criação, em 1967, da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultura da Bahia (que perdurou até 1980, quando se torna Instituto).Seguindo as recomendações de Michel Parent, consultor da primeira missão da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em seu relatório preliminar, em ocupar-se do Pelourinho, a Fundação pretendia combinar nessa área a preservação e o turismo.Datam da primeira metade da década de 70 as primeiras intervenções nesse sentido: a reforma dos casarões do Largo do Pelourinho para a implantação do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), do Hotel Pelourinho, da Pousada do Carmo e ateliês de arte e artesanato.10 Tais intervenções não tiveram continuidade devido ao fim, em inícios da década seguinte, do Programa Centros Históricos, que as financiava.Entretanto, com a declaração da Unesco do CHS como Patrimônio da Humanidade, em 1985, deu-se o acirramento das discussões sobre a sua recuperação.A formação do Revicentro 4 é prova disso.Contudo, até 1990, os projetos de intervenção no Pelourinho priorizavam a manutenção da população:A gradual redução de recursos financeiros públicos para intervenções de vulto, a organização de um movimento de defesa dos habitantes da área e, sobretudo, a pouca atratividade que esta apresentava para os investidores privados, passaram aPor trás das fachadas coloridas
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Comment cette classification a été obtenuedéplier
Prédiction machine sur la base complète
Imitation des enseignantsNi prévalence calibrée, ni vérité terrain. Validation humaine à venir. Le volet Gemma est une étiquette directe du modèle pour chaque travail de la base, lue sur la notice réduite au titre. Le volet Codex est un classifieur appris des 10 348 étiquettes directes de Codex et calibré sur les taux pondérés de l'échantillon; les champs sans appui suffisant ne portent aucun appel Codex. Le mode candidate est l'union des deux volets; le consensus est leur intersection. Ces sorties portent le statut machine_predicted_unvalidated et ne sont pas des étiquettes humaines.
Scores du classifieur distillé par catégorie (deux têtes)
| Catégorie | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Métarecherche | 0,002 | 0,005 |
| Méta-épidémiologie (sens strict) | 0,001 | 0,000 |
| Méta-épidémiologie (sens large) | 0,000 | 0,000 |
| Bibliométrie | 0,002 | 0,003 |
| Études des sciences et des technologies | 0,008 | 0,008 |
| Communication savante | 0,011 | 0,004 |
| Science ouverte | 0,001 | 0,005 |
| Intégrité de la recherche | 0,002 | 0,002 |
| Charge utile insuffisante (le modèle a refusé de juger) | 0,027 | 0,003 |
Scores machine (provisoires)
Les deux têtes enseignantes du modèle étudiant, lues sur ce travail. Un score ordonne la base pour la relecture; il n'affirme jamais une catégorie, et le statut de validation accompagne chaque rangée tel quel.
Scores de référence d'un modèle non mature (critères de maturité non atteints, 7 itérations). Un score ordonne; il n'affirme jamais une catégorie.
score_only:v0-immature-baseline · tel quel depuis la passe de notation : score_only signifie que le nombre peut ordonner les travaux, et qu'aucune étiquette de catégorie n'en découleClassification
machine, non validéePrédiction automatique; un appel candidat d’une seule source (Gemma direct ou Codex distillé), pas un consensus.
Le détail, modèle par modèle et score par score, se trouve en fin de page sous « Comment cette classification a été obtenue ».