Bibliographic record
Abstract
FLORESTAN FERNANDES -Durante 25 anos lecionou Sociologia na Universidade de São Paulo, de onde foi afastado, em 1969, como professor catedrático.Lecionou durante três anos na Universidade de Toronto (Canadá) e tem sido frequentemente convidado por inúmeras instituições universitárias e de pesquisas do exterior a fi m de prestar colaboração em nível de cursos de pós-graduação, orientação de pesquisas etc. Tem participado de inúmeros congressos e seminários internacionais como conferencista e como relator de pesquisas.Autor de um extenso número de artigos, ensaios e de livros, dos quais destacamos: Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica, Ensaios de Sociologia Geral e Aplicada, Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina, Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento, O Negro no Mundo dos Brancos, A Integração do Negro na Sociedade de Classes, Mudanças Sociais no Brasil, A Revolução Burguesa no Brasil e Circuito Fechado.O depoimento que se segue, além de sua excepcional e provocante riqueza em termos de refl exão teórica e crítica, revela-nos igualmente uma fi gura de rara grandeza humana.O mínimo que podemos dizer, nós, que também procuramos "vincular a investigação científi ca e fi losófi ca à transformação da sociedade", é que de Florestan Fernandes somos todos aprendizes.Como interpreta toda a sua produção científi ca? Há um projeto teórico, uma "linhamestra", orientando seus trabalhos e pesquisas?Qual é a sua trajetória intelectual?Essa é uma pergunta complicada para mim.Pelo que sei, só Comte sabia o que ele ia fazer durante todo o resto da vida.Em geral, as preocupações teóricas de qualquer intelectual -especialmente se ele é um sociólogo, historiador ou um antropólogo, enfi m alguém que trabalha com problemas que dizem respeito as sociedades humanas -se alteram ao longo do tempo.Não há uma pessoa que nasça com um projeto e depois o realize completamente.Todavia em termos de formação intelectual, o ensino que nós recebíamos na Faculdade de Filosofi a, como já escrevi, combinava um nível acadêmico muito alto, pois nos tivemos a sorte de termos professores de primeira ordem mas, ao mesmo tempo, uma espécie de didatismo, que estava infi ltrado no ensino.Isto não era decorrência da estrutura do ensino.Era decorrência da situação cultural brasileira.Nós não tínhamos um ponto de partida para começarmos com aquele tipo de universidade.Aquela universidade foi implantada em um meio mais ou menos agreste, exigindo uma base e uma tradição que nós não tínhamos; e a consequência foi que todos tínhamos que improvisar, uns mais, outros menos.É claro que pessoas que vinham de famílias de intelectuais e nas quais o trato com o livro era mais frequente do que pessoas que vinham de famílias pobres, provavelmente tiveram menos difi culdade nesta transição.Essa não era minha situação pessoal.Eu vinha de uma família pobre e o trato com o livro foi adquirido às minhas próprias custas.Eu não tinha ligação com ninguém que pudesse, em termos de situação de família, me ajudar e servir de apoio.Só para vocês terem uma idéia dessa contradição, vou dar um exemplo.Terminado meu curso na Faculdade de Filosofi a, a minha crise -não a de crescimento psicológico -era uma crise moral.Porque eu me perguntava: o que é a Sociologia?; o que são as Ciências Sociais?; posso ser um sociólogo?; sei o sufi ciente para ser um sociólogo?Assim, tive de armar um programa de trabalho que envolvia no mínimo 18 horas, e às vezes mais, de leituras intensas, todo dia.Isso era um trabalho de autodidata, montado a margem e em cima do trabalho desenvolvido pelos professores.Por que isso foi necessário?Foi necessário porque nos não tínhamos um ensino secundário que alimentasse o desenvolvimento intelectual do estudante.O estudante que chegava à USP era um estudante com defi ciências muito graves.E essas defi ciências eu senti logo no começo.Por exemplo: o primeiro contacto que eu tive com a Filosofi a foi através do professor Maugüé, em um curso sobre Hegel de um ano, dado em francês.Agora, o que é que um pobre coitado que sai de um curso de madureza, sabendo o que se sabia aqui a respeito de Filosofi a, poderia fazer no quadro de um ensino destes?Eu tinha de me meter a ler livros e fazer um esforço duplo: de um lado, o de entender o francês do meu professor; de outro lado, o de multiplicar as leituras para poder, independentemente da língua, entender o que ele estava ensinando.Havia, então, uma montagem autodidática paralela, que estava incrustada na atividade do estudante e que, depois, marcava a própria trajetória do intelectual formado pela Universidade de São Paulo.A institucionalização nesta década de 40 é parcial.A preocupação para entrosar o ensino com as potencialidades culturais do ambiente nasceu conosco.Assim que nos tornamos professores, e como professores nós pudemos introduzir inovações, aí é que estes problemas foram sendo enfrentados e resolvidos.Até então, o professor europeu -embora fosse só o professor francês que fazia isso -simplifi cava as coisas.Ele achava que o estudante brasileiro tinha as mesmas condições intelectuais que qualquer outro estudante e dava o ensino que ele achava que devia dar; nós tínhamos assim que enfrentar os problemas resultantes.É claro que de uma forma precária, insatisfatória para os professores, e com muito sacrifício para nós.Então o autodidatismo era a outra face do trabalho intelectual.É curioso, porque era um ensino de grande densidade, um ensino de grandes qualidades, de professores que tinham um treino universitário.Isto fazia com que nós todos tivéssemos uma certa propensão muito abstrata e superestimássemos a Universidade pois essa precariedade toda fazia com que nos procurássemos segurança em termos de uma imaginação criadora.Naturalmente, para compensar as defi ciências do trabalho que fazíamos e que sentíamos, éramos obrigados a pensar que não só a
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How this classification was reachedexpand
Full frame machine prediction
Teacher imitationNot calibrated prevalence, not ground truth. Human validation pending. The Gemma side is a direct model label for every work in the frame, read from the title-only record. The Codex side is a classifier learned from the 10,348 direct Codex labels and calibrated to design-weighted sample rates; fields without enough sample support carry no Codex call. Candidate is the union of the two sides; consensus is their intersection. These outputs are machine_predicted_unvalidated and are not human labels.
Distilled classifier scores by category (both heads)
| Category | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Metaresearch | 0.001 | 0.004 |
| Meta-epidemiology (narrow) | 0.001 | 0.000 |
| Meta-epidemiology (broad) | 0.000 | 0.000 |
| Bibliometrics | 0.001 | 0.001 |
| Science and technology studies | 0.004 | 0.001 |
| Scholarly communication | 0.004 | 0.003 |
| Open science | 0.001 | 0.003 |
| Research integrity | 0.002 | 0.004 |
| Insufficient payload (model declined to judge) | 0.176 | 0.054 |
Machine scores (provisional)
The two teacher heads of the student model, read on this work. A score orders the frame for review; it never asserts a category, and the validation status ships verbatim with every row.
Baseline scores from an immature model (maturity gate not passed, 7 training rounds). Scores rank; they never assert a category.
score_only:v0-immature-baseline · verbatim from the scoring run: score_only means the number may rank works, and no category label ships from itClassification
machine, unvalidatedMachine predicted; a candidate call from one source (direct Gemma or distilled Codex), not a consensus.
How this classification was reached, model by model and score by score, is at the end of the page under "How this classification was reached".