Universidade(s) e deficiência(s) : interfaces, tensões e processos
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Abstract
Este estudo discute modos possíveis de relação com a deficiência e problematiza como essa categoria é materializada nos espaços e temporalidades da universidade pública. Sobretudo, circunscreve a universidade como uma instituição retórica que, ao mesmo tempo em que produz e atualiza perspectivas capacitistas, pode se constituir também como um local privilegiado para a contestação de verdades únicas sobre deficiências múltiplas. O percurso das problematizações desenvolvidas na tese acompanha os encontros temporais e espaciais com 3 universidades distintas: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Porto Alegre; a Universidade Ryerson, em Toronto/Canadá; e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Em um primeiro momento, acionamos 3 operadores teórico e metodológicos que, articulados entre si e na relação com a deficiência, tranversalizam o texto e nos permitem mobilizar as discussões propostas: materializar corporalidades, contar histórias e incômodo. Para posicionar o debate, tecemos algumas reflexões sobre as condições de emergência das práticas e políticas de inclusão educacional voltadas para estudantes com deficiência, subsidiadas em três paradigmas que contextualizam essas discussões em um panorama histórico e orientam nossas intervenções cotidianas: a inclusão como reclusão, como integração, como um direito e imperativo de Estado. Em seguida, relatamos algumas experiências do doutorado sanduíche em um programa de Estudos sobre Deficiência da Universidade Ryerson e refletimos sobre os deslocamentos conceituais e analíticos decorrentes desse estágio, bem como as possibilidades de ampliar tecnologias de acessibilidade e cuidado proporcionadas por essa vivência. O encontro com a arte e com modos interseccionais de relação com a deficiência que encontramos no cenário canadense nos permitiram reiterar a compreensão de que contextos sociais, históricos e culturais diversos permitem a emergência de diferentes modos de produção e relação com as deficiências. Na pesquisa de campo, buscamos observar como a política de reserva de vagas para estudantes com deficiência (Lei nº. 13.409/2016) vem sendo implementada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o que ela coloca em movimento nesse processo de implementação. Como procedimentos para a produção das informações que compõe o corpus empírico da pesquisa, realizamos entrevistas semiestruturadas com 4 estudantes que ingressaram no ensino superior dessa universidade por meio da política de cotas para deficiência. Além das entrevistas, acionamos interlocutoras e departamentos institucionais: transitamos pela Coordenadoria de Acessibilidade Educacional (CAE), por projetos de extensão e núcleos de pesquisa; acompanhamos eventos sobre a deficiência e sobre as políticas de ações afirmativas; conversamos com profissionais que atuam como servidoras da instituição e com pessoas com deficiência que participam do cotidiano da universidade. As entrevistas com as estudantes foram gravadas em áudio e as demais informações foram registradas em diário de campo. As narrativas das estudantes com deficiência cotistas e os percursos institucionais acionados no decorrer da pesquisa de campo nos apontaram algumas pistas sobre os desafios, as tensões e as controvérsias na operacionalização da política. Discutimos como, ao relegar as questões da deficiência exclusivamente a um plano individual e às soluções técnicas e pontuais, podemos contribuir para isentar a universidade da urgência em reconhecer como as suas próprias estruturas sustentam desigualdades sociais e articulam opressões de forma interseccional e capacitista. Analisamos como contextos diversos materializam deficiências específicas que só podem ser compreendidas na sua multiplicidade e de forma temporal e espacialmente situada. Defendemos a complementaridade inerente a esse processo de constituição que, ao fazer uma deficiência e um sujeito deficiente, também faz o seu oposto – um repertório de práticas, corporalidades e instituições supostamente não atravessadas pela categoria deficiência. Utilizamos a análise de implicações como estratégia metodológica que nos permite refletir sobre quais elementos vão inquietando o fazer pesquisa que faz também a pesquisadora, materializando dores e deficiências nesse processo-encontro. Além disso, a análise de implicações contribui para problematizar as reverberações do contexto político, econômico, social e educacional contemporâneo na pesquisa. Por fim, entendemos que a implementação das políticas de ações afirmativas vem fazendo com que as universidades públicas sejam compelidas a abrir suas portas para comportar a diversidade. Outrossim, a ampliação de entrada de um público diverso nas instituições federais de ensino superior, faz com que seja necessário repensar suas estruturas, epistemologias, referências, práticas e pedagogias. Quando a deficiência passa a ocupar os espaços e temporalidades acadêmicos, não mais apenas como objeto de estudo, mas como categoria analítica e política, além de ser um componente identitário que singulariza as trajetórias de vida das estudantes, nos convoca a repensar os sistemas de ensino a partir de uma dimensão estrutural, uma vez que denuncia o capacitismo intrínseco à universidade. Como apontamentos finais, apostamos em uma academia aleijada, ou seja, uma universidade capaz de antecipar e desejar a diversidade funcional e corporal e, a partir dessa virada epistemológica, promover e garantir o acesso e a participação das pessoas com deficiência nos diferentes espaços, contextos e atuações universitárias.
Fetched live from OpenAlex and de-inverted. Abstracts are not stored in this database: the inverted indexes are 8.6 GB of the frame’s 9.3 GB of text, and the host has 13 GB free.
How this classification was reachedexpand
Full frame distilled prediction
Teacher imitationNot calibrated prevalence, not ground truth. Human validation pending. Learned from the 10,348 direct Codex labels and 10,348 direct Gemma labels. Candidate is the union of thresholded teacher heads; consensus is their intersection. These outputs are machine_predicted_unvalidated and are not human labels or direct frontier model labels.
Codex and Gemma teacher scores by category
| Category | Codex | Gemma |
|---|---|---|
| Metaresearch | 0.001 | 0.000 |
| Meta-epidemiology (narrow) | 0.001 | 0.002 |
| Meta-epidemiology (broad) | 0.002 | 0.001 |
| Bibliometrics | 0.001 | 0.003 |
| Science and technology studies | 0.004 | 0.001 |
| Scholarly communication | 0.002 | 0.002 |
| Open science | 0.002 | 0.000 |
| Research integrity | 0.002 | 0.002 |
| Insufficient payload (model declined to judge) | 0.003 | 0.001 |
Machine scores (provisional)
The two teacher heads of the student model, read on this work. A score orders the frame for review; it never asserts a category, and the validation status ships verbatim with every row.
Baseline scores from an immature model (maturity gate not passed, 7 training rounds). Scores rank; they never assert a category.
score_only:v0-immature-baseline · verbatim from the scoring run: score_only means the number may rank works, and no category label ships from itClassification
machine, unvalidatedMachine predicted; both teacher heads agree on what is shown here.
How this classification was reached, model by model and score by score, is at the end of the page under "How this classification was reached".